Fim do regime de caixa no Simples Nacional pode pressionar o caixa das pequenas empresas

Micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional que utilizam o regime de caixa precisarão se preparar para uma mudança que começa a valer em janeiro de 2027. Com o fim dessa modalidade, a tributação passará a considerar a receita no momento em que a venda for realizada, independentemente de quando o cliente efetuar o pagamento. A alteração está prevista na Resolução nº 190 do Comitê Gestor do Simples Nacional e está relacionada às adequações provocadas pela reforma tributária.

A principal preocupação está nas empresas que trabalham com vendas parceladas ou oferecem prazos maiores aos clientes. Pelo novo modelo, os impostos poderão ser cobrados antes de o dinheiro efetivamente entrar no caixa, o que pode comprometer o capital de giro e dificultar o pagamento de despesas como salários, aluguel e fornecedores. Diante desse cenário, especialistas recomendam reforçar o planejamento financeiro, rever políticas de crédito e cobrança e avaliar alternativas como exigir entrada, diminuir o número de parcelas ou conceder descontos para pagamentos antecipados.

Com a mudança, empresários também deverão revisar preços, contratos e estratégias comerciais para reduzir os impactos sobre o fluxo de caixa. Segundo especialistas, dependendo da realidade de cada negócio, pode ser necessário analisar outras formas de tributação, como o lucro presumido, embora essa opção possa resultar em uma carga tributária maior. A orientação é que os empreendedores procurem profissionais da área contábil antes da mudança para simular os efeitos da nova regra e definir a estratégia mais adequada para manter a saúde financeira da empresa.

Fonte: Fenacon