Empresas reavaliam contratos diante dos impactos da reforma tributária

Com a aprovação da reforma tributária sobre o consumo, muitas empresas passaram a buscar orientação jurídica para reavaliar e renegociar cláusulas contratuais. A preocupação principal gira em torno do impacto financeiro das mudanças, que envolvem novas alíquotas, alterações no sistema de créditos tributários e o fim de benefícios fiscais. Especialistas indicam que as empresas precisam calcular como essas alterações afetam seus custos antes de propor reajustes com fornecedores ou clientes, principalmente em contratos com vigência a partir de 2027, quando a nova tributação começa a ser implementada gradualmente.

A substituição de tributos atuais pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além do novo Imposto Seletivo, trará mudanças relevantes na precificação de produtos e serviços. Advogados alertam que a análise deve considerar a carga tributária efetiva, ou seja, o impacto final dos créditos tributários na operação de cada empresa. Empresas de diversos setores, como seguros, finanças e construção, já iniciaram estudos para adaptar contratos. A reforma também prevê ajustes obrigatórios em contratos públicos, com possibilidade de reequilíbrio financeiro, conforme regras a serem definidas por agências reguladoras e entes federativos.

A nova estrutura tributária exige uma revisão completa da forma de conduzir negócios. Empresas mais atentas já iniciaram esse processo desde 2023, enquanto outras ainda não inseriram o tema em sua agenda estratégica. A renegociação de contratos é vista como essencial para adequar a política de preços à nova realidade fiscal. Além disso, muitas companhias estão avaliando reorganizações societárias e reconfigurando decisões de investimento com base na possibilidade de aproveitamento de créditos tributários. Situações envolvendo fornecedores não contribuintes, como pessoas físicas ou optantes pelo Simples Nacional, também exigem atenção especial na revisão de contratos de longo prazo.

Fonte: Valor