Tempo seco tem elevado a produção de açúcar e etanol no país
Na segunda quinzena de junho, moagem de cana no Centro-Sul foi 13% maior do que a do mesmo período da safra passada
O clima seco no Centro-Sul tem permitido um rápido avanço das colhedoras de cana-de-açúcar nesta safra 2024/25. Como resultado, os volumes de produção de açúcar e etanol são, até o momento, superiores aos da mesma época da safra passada, quando o segmento registrou produção recorde.
Na segunda quinzena de junho, a moagem de cana no Centro-Sul foi 13% maior do que a do mesmo período da safra passada, segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). Com o aumento, o volume chegou a 48,8 milhões de toneladas.
A falta de chuvas também elevou a concentração de sacarose, o que aumentou a oferta de matéria-prima. O teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na quinzena subiu 5,16%, para 139,96 quilos por tonelada de cana.
Com isso, na quinzena, a produção de açúcar cresceu 20,1%, para 3,25 milhões de toneladas, enquanto a de etanol aumentou 18,5%, para 2,3 bilhões de litros. As usinas elevaram a parcela da sacarose direcionada à produção do açúcar, o que fez com que a oferta da commodity tivesse um crescimento mais expressivo.
O resultado da produção da segunda metade de junho reforça a tendência que já se observa desde o início da safra, marcada pela aceleração da colheita. De 1° de abril a 1° de julho, o volume de cana que as usinas do Centro-Sul processaram foi 13,3% maior do que o de um ano antes, alcançando 238,4 milhões de toneladas.
A produção de açúcar aumentou 15,7% no Centro-Sul, para 14,2 milhões de toneladas, enquanto a de etanol subiu 14,5%, para 11 bilhões de litros. De acordo com Luciano Rodrigues, diretor técnico da Unica, “até o momento, o crescimento da fabricação do adoçante atingiu 1,93 milhão de toneladas, sendo 1,63 milhão decorrentes do avanço na moagem de cana e apenas 300 mil toneladas associadas à mudança no mix de produção”.
Já a produção de etanol tem tido o reforço do processamento do milho. Na segunda quinzena de junho, o cereal foi a matéria-prima de 13% (ou 299,58 milhões de litros). Desde o início da safra, o volume de etanol de milho representou 16,3% da produção.
Vendas de etanol
A antecipação da produção de açúcar e etanol também está permitindo às usinas vender mais produtos do que um ano antes. Com o aumento da oferta de açúcar no Centro-Sul, as exportações brasileiras da commodity foram de 7,9 milhões de toneladas de abril a junho, ou 27,4% a mais do que no mesmo período de 2023. A receita com os embarques cresceu 25,8% na mesma base de comparação, para US$ 3,9 bilhões.